domingo, junho 10, 2012

EURO 1

Portugal jogou para não perder e isso é motivo para o merecer. Para mais, devia ser crime ter os jogadores que temos e não jogar para ganhar.

sexta-feira, junho 01, 2012

Ler tem vantagens

“Fora da Escandinávia – na Áustria, Alemanha, França, Itália, Holanda, e outros países – não foram os socialistas mas democratas-cristãos os principais responsáveis pelo estabelecimento e administração das instituições fulcrais do Estado-providência activista. Até na Grã-Bretanha, onde no pós II Guerra o governo trabalhista de Clement Attle inaugurou de facto o Estado-providência como então o conhecemos, foi o governo de tempo de guerra de Winston Churchill que encomendou e aprovou o Relatório de William Beveridge (ele próprio um liberal), que estabeleceu os princípios do fornecimento da providência pública: princípios – e práticas – reafirmados e garantidos por todos os governos conservadores que se seguiram até 1979.


O Estado-providência, em suma, nasceu de um consenso tripartido do século XX. Foi implementado, na maioria dos casos, por liberais ou conservadores que haviam entrado na vida pública muito antes de 1914, e para quem o fornecimento público de serviços médicos universais, pensões de velhice, subsídios de desemprego e doença, educação gratuita, transportes públicos subsidiados, e os outros pré-requisitos de uma ordem civil estável, representavam não o primeiro estádio do socialismo do século XX mas o culminar do liberalismo reformista do fim do século XIX. Uma perspectiva similar animava o pensamento de muitos apoiantes do New Deal nos Estados Unidos.

Além disso, e aqui mais uma vez a memória da guerra desempenha um papel importante, os Estados-providência «socialistas» do século XX construíram-se não como uma guarda avançada da revolução igualitária, mas para proporcionar uma barreira contra o regresso do passado: contra a depressão económica e o seu resultado político polarizador e violento na política desesperada, tanto do fascismo como do comunismo. OS Estados-providência eram portanto Estados profiláticos. Foram concebidos de forma muito consciente para responder ao anseio generalizado de segurança e estabilidade que John Maynard Keynes e outros anteviram muito antes do fim da II Guerra Mundial, e resultaram para lá de todas as expectativas. Graças a meio século de prosperidade e segurança, no Ocidente esquecemos os traumas políticos e sociais da insegurança em massa. E assim nos esquecemos do porquê de herdarmos esses Estados-providência, e o que os justificou.

O paradoxo, claro, é que o próprio êxito da economia mista dos Estados-providência, ao proporcionar a estabilidade social e a desmobilização ideológica que tornaram possível a prosperidade do último meio século, levou uma geração política mais jovem a tomar por garantida essa mesma estabilidade e imobilidade ideológica e a exigir a eliminação do «estorvo» do Estado tributador, regulador, e geralmente interferente.”

 
Tony Judt, O Século XX Esquecido, p.21