"Hoje em dia, já quase ninguém aprende alemão. Parece ser consensual que a mente jovem só pode lidar com uma língua de cada vez, de preferência a mais fácil
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Creio que é revelador que de todas as minhas memórias desagradáveis da escola, a única inequivocamente positiva sejam os dois anos que passei em que me enfiaram implacavelmente a língua alemã. Julgo que não sou masoquista. Se me lembro de «Joe» Craddock com tanta afeição e apreço, não é por ele me ter incutidoo medo de deus ou por me pôr a analisar frases em alemão à uma da manhã, sob pena de no dia a seguir ser corrido a «És uma vergonha!». É porque ele foi o melhor professor que tive; e ser bem ensinado é a única coisa de que vale a pena lembrarmo-nos da escola
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Os meus anos 60 foram um pouco diferentes dos dos meus contemporâneos. É claro que também partilhei do entusiasmo pelos Beatles, pelas drogas leves, pela divergência política e pelo sexo (este mais imaginado do que praticado, mas também aqui creio que refletia a experiência da maioria, apesar de toda a mitologia retrospectiva)
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Cambridge, como é evidente, ainda não estava pronta para a revolução. Nem Londres: na manifestação tristemente célebre de Grovesnor Square, à porta da embaixada americana (uma vez mais, por causa do Vietname - tal como tantos outros contemporâneos, eu mobilizava-me prontamente contra qualquer injustiça cometida a milhares de quilometros), entalado entre um polícia a cavalo enfadado e a vedação do parque, senti algo quente e húmido a escorrer-me pela perna. Incontinência? Uma ferida sangrenta? Não tive essa sorte. Rebentara-me no bolso, uma bomba de tinta vermelha que eu tencionara atirar à embaixada.
Nessa mesma noite eu ia jantar com a minha futura sogra, uma senhora alemã de perfeito instinto conservador. ... já a alarmara saber que a filha namorava um desses de esquerda, sujos, que andavam aos gritos «Ho, Ho, Ho Chi Minh», que ela nessa tarde vira com desagrado na televisão. Eu, é claro, apenas lamentava que fosse tinta em vez de sangue."