"O inimigo, para ser reconhecível e temido, deve estar dentro de casa, ou à porta de casa. Aqui está o porquê dos judeus. A Divina Providência deu-os a nós [os russos], usemo-los, por Deus, e rezemos para que haja sempre algum hebreu que temer e que odiar. É necessário um inimigo para dar ao povo uma esperança. Alguém disse que o patriotismo é o último refúgio dos canalhas: quem não tem princípios morais envolve-se habitualmente numa bandeira, e os bastardos remetem-se sempre para a pureza da sua raça. A identidade nacional é o último recurso dos deserdados. Ora, o sentido de identidade funda-se no ódio, no ódio por quem não é idêntico. É necessário cultivar o ódio como paixão civil. O inimigo é o amigo dos povos. Faz falta sempre alguém a quem odiar para nos sentirmos justificados na própria miséria. O ódio é a verdadeira paixão primordial. É o amor que é uma situação anómala. Por isso, Cristo foi morto: falava contra natura."
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"Ouvi dizer que na Terra vivem mais de um bilião de pessoas [meados do século XIX]. Não sei como conseguiram contá-las, mas basta dar uma volta por Palermo para compreender que somos demasiados e já estamos a pisar os pés uns dos outros. E a maior parte deles cheira mal. Há já pouca comida agora; imagine-se se crescermos ainda mais. Portanto é preciso sangrar a população. É certo, há as pestes, os suicídios, as penas capitais, há sempre aqueles que se desafiam para um duelo, ou a quem apraz cavalgar por bosques e pradarias até partirem o pescoço; ouvi falar de cavalheiros ingleses que vão nadar ao mar e, naturalmente, morrem afogados ... Mas não basta. As guerras são o alívio mais eficaz e natural que se possa desejar para refrear o crescimento dos seres humanos ... Mas é necessário encontrar gente que tenha vontade de fazer a guerra ... Assim, são indispensáveis aqueles como Nievo, Abba ou Bandi, desejosos de se lançarem em frente debaixo da metralha ...
Enfim, ainda que não me agradem, temos necessidades de almas belas."
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"A esta terra, onde, desde há séculos, nada acontece, chegou Garibaldi com os seus. Não é que a gente daqui seja partidária dele, nem que esteja ainda pelo rei que Garibaldi está a destronar. Estão simplesmente embriagados pelo facto de ter acontecido qualquer coisa de diferente. E cada um interpreta a diferença à sua maneira"
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"Os artistas, mesmo de longe, são isuportáveis, olham em volta para perceber se nós os estamos a reconhecer"