sexta-feira, dezembro 23, 2011

Falta explicar qualquer coisa?

Quando se decidiu a tirar 50% do subsídio de natal acima do ordenado mínimo, o governo, se a memória não me falha, deu, pelo menos, duas justificações: dessa forma evitava-se o incumprimento da meta de 5,9% para o défice e criava-se uma almofada para o caso de aparecerem dívidas escondidas. Ia jurar que foi dito nessa altura que não seriam necessárias medidas adicionais, mas a memória já não é o que era. Recentemente o ministro das finanças veio dizer que o défice rondaria os 4% e que sem a transferência dos fundos de pensões da banca seria de 7,5%. Alguém se importa de perguntar a que se deve o desvio?

domingo, dezembro 04, 2011

Sócrates

Faleceu um dos inspiradores deste blogue. Fez parte da única equipa perdedora que ficou na história,

Obrigam-me a dar atenção ao que se está a passar?



“Vamos então perceber uma verdade que é tão óbvia que já a não vemos: não há crise nenhuma da produção. A produtividade vem aumentando continuamente em todos sectores. A terra arável poderia alimentar a população do mundo inteiro e as oficinas e fábricas produzem muito mais do que é necessário, desejável e sustentável. As desgraças do mundo não são devidas a desastres naturais, como na Idade Média, mas a um tipo de enfeitiçamento que atinge os homens e os seus produtos.

O que não funciona é a “interface” colocada entre os homens e o que eles produzem: o dinheiro. A crise confronta-nos com o paradoxo fundador da sociedade capitalista: a produção de bens e serviços não é um objectivo, é apenas um meio. O único objectivo é a multiplicação do dinheiro – investir um euro para obter dois.”

Anselm Jappe , Courier International, Dezembro 2011, pag.98