sábado, agosto 30, 2008

O chip electrónico nos automóveis

O meu amigo paga o imposto de circulação - actualmente, um imposto sobre a propriedade - e a inspecção ao seu carro. Mas isto não chega ao estado. Agora também querem que você pague a fiscalização, pois é o proprietário que tem de pagar o chip.
É esta a questão que se devia discutir pois as que se prendem com a intimidade têm de estar protegidas pela constituição. Se não estão, mude-se a constituição.
A pergunta não deve ser quem tem acesso aos dados e como são eles protegidos. A pergunta que deve ser respondida é: garante-se que, em caso da fiscalização não detectar infracções, é, irremediavelmente, eliminado do registo o automóvel, o proprietário e a localização?
Nelson Évora

Antes de ser campeão olímpico manifestou-se contra a expulsão de Marco Fortes. Temos Homem.
Leituras de Verão

"O número 5 a vermelho: cinco dos nossos mortos. Um 7 a preto: sete dos deles mortos. Mais algarismos a vermelho e a preto em duas colunas na parte inferior, sem totais, porque as contas da morte estão sempre em aberto"

Ryszard Kapuscinski, "Mais um dia de vida - Angola 1975"

quinta-feira, agosto 28, 2008

Leituras de Verão
"O trabalho de Loewi esclareceu inúmeros mistérios. Há séculos que se consumia cafeína, e já no século XVII havia queixas de que os universitários abusavam dela para conseguirem ficar acordados quando se atrasavam nos estudos. Mas, até começarem a perceber as interacções eléctricas entre as superfícies das células do cérebro, ninguém sabia como ela funcionava. Um dos transmissores cerebrais correntes é uma grande molécula chamada adenosina; quando chega a uma célula descelera-a. O que a cafeína faz é ocupar os ancoradouros da adenosina, impedindo-a assim de atracar. Mesmo que estejamos exaustos e queiramos dormir, a adenosina não consegue encontrar ancoradouros livres de cafeína em número suficiente para fazer as respectivas células dispararem mais devagar.
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Era já então [1970] conhecido o papel importante desempenhado por um neurotransmissor chamado serotonina: grosso modo, quem tem um nível baixo de serotonina no cérebro tende a sentir-se deprimido. Mas como controlar a serotonina?
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O que os ivestigadores da Eli Lilly descobriram foi uma maneira engenhosa de elevar indirectamente o nível de serotonina, mas de mais nenhuma outra substância. Não sabiam levar o cérebro a propuzir mais serotonina, mas conseguiram que a que lá havia durasse mais. Os níveis de serotonina são controlados não só pela quantidade que é produzida pelas células nervosas, mas também pela rapidez com que as equipas de limpeza moleculares a destroem e reconduzem à origem para ser reabsorvida. Se alguém produz serotonina a menos, ou se os seus receptores não funcionam bem, porque não desacelerar simplesmente o processo de destruição e reabsorção da serotonina? O prozac liberta pequenas moléculas que se agarram às que decompõem a serotonina e lhes diminuem a eficiência"

David Bodanis, "O Universo Eléctrico"

quarta-feira, agosto 27, 2008

Usain Bolt

O jamaicano Usain Bolt é o homem mais rápido da história. É preto, novo, confiante e brincalhão. Se fosse norte-americano continuava a ser o mais rápido, mas o resto da caracterização seria: afro-americano, atingiu o pico aos 21 anos (significando que daqui para a frente se deseja que seja só a descer), é arrogante e apalhaçado.

Aeroporto de Beja
É certo que ainda não é um avião a aterrar, mas lá que dá animo, isso dá.

quarta-feira, agosto 20, 2008

Vaidade e presunção

Estava lá quando Michael Johnson bateu o recorde do mundo dos 400 m. As minhas palmas foram fundamentais para o feito. Este recorde só pode ser batido na minha presença

sábado, agosto 09, 2008

O pudor das televisões

Vi a abertura do jornal das oito na rtp. As imagens mostraram o momento em que um homem morre. Chocado, mudei para o jornal da tvi. As mesmas imagens. Na sic aparecem no fim de uma reconstituição.
Há algum critério jornalístico por detrás das realizações? A exibição da morte de um homem serviu o quê?

quinta-feira, agosto 07, 2008

Leituras de Verão

"Churchill percebeu naquele momento [Maio de 1940] qualquer coisa que ainda hoje muita gente não percebe. A grande ameaça à civilização ocidental não era o comunismo, era o nacional-socialismo. A mais poderosa e dinâmica das potencias mundiais não era a União Soviética, era a Alemanha do Terceiro Reich. O maior revolucionário do século XX não era Lenine nem Estaline, era Hitler. Hitler não só conseguiu fundir o nacionalismo e o socialismo numa força tremenda como era uma nova espécie de governante, representativo de um novo género de populismo nacionalista"

John Lukacs, "Cinco Dias em Londres"