quinta-feira, setembro 11, 2008


A Herança Alemã
A presença alemã em Beja deixou à cidade uma base área, um bairro que, ainda hoje, é de vanguarda e uma mata.
A importância económica desse património será mais fácil de imaginar nos dois primeiros casos, no entanto, é da zona florestada que quero falar.
A mata dos alemães é, de acordo com o que se diz aqui, a maior mancha florestal do Concelho, mas, lentamente, o betão ganha, grosseiramente, terreno por entre as árvores.
Primeiro foi o perímetro da Escola de Santiago - traçado por um inenarrável muro - que abrangeu uma margem, embora residual, das árvores. Estas já lá não estão. O novo edifício da Estig está colado à linha de árvores e ainda falta construir o inevitável muro. Outro muro parece estar garantido, o do parque de campismo que vai ser transferido para a parte da mata que acaba na Avenida Ramiro Correia.
Não encontrei qualquer referência ao projecto na rede. Não sei quem o decidiu nem quando a decisão foi tomada. Choca-me que se tenha decidido vedar ao público um terço de uma zona verde que devia permanecer de livre acesso e que a preocupação não seja a sua manutenção e embelezamento.
Há alguns anos - creio que na véspera das penúltimas eleições autarquicas - o Bloco de Esquerda colocou uma fita em volta de toda a mata e afixou um cartaz em que se podia ler "Zona Livre de Betão". Eram palavras de premonitórias.
Já agora, e porque também fiz campismo, do ponto de vista do campista, apesar da pensão ser barata, à noite deseja-se silêncio. Não é isso que o espera num parque colocado ao lado de uma via com intenso trânsito viário, mesmo à noite.
Adenda: Afinal fui eu que cheguei atrasado a esta notícia. Lá sabe-se quem foi, quando foi e que se procura um privado que fique com um espaço verde público.